A segunda rodada da Negociação Coletiva 2011, que aconteceu na última terça-feira (22/02), parecia mais um roteiro de um filme enlatado; as falas do representante patronal são sempre as mesmas, ano após ano. Com outra postura, os dirigentes dos sindicatos dos trabalhadores constroem argumentos, fazem análises de conjuntura e se baseiam em pesquisas econômicas, respaldadas no Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

No início do encontro, Lourivaldo Rohling Schülter, coordenador geral da Federação dos trabalhadores, apresentou as principais cláusulas que deveriam ser retomadas, mantendo, sempre, a tônica do slogan da campanha salarial deste ano: “Direito não se reduz, se amplia”.

O presidente do Sinepe/SC, Marcelo Batista de Souza, continuou com seu comportamento previsível, de fazer críticas à CLT, aos altos tributos e ao “governo do PT”. Não poderia ser diferente. Irredutível, o representante patronal não permitiu um diálogo produtivo, como manifestou Valdir Luiz Schwengber, presidente do Sinpaaet. “Negociação significa negar o ócio e estar ativo para ouvir o outro e sair da ignorância”, comentou.

Ao mesmo tempo em que o patronal não cedia em nada na sua tentativa de mudar algumas cláusulas da Convenção Coletiva de 2009/10, contraditoriamente reforçava sua disposição para negociar. Nessa ambiguidade que Erivelton José Konfidera, dirigente do Sinproeste, cobrou um posicionamento claro do presidente patronal. Para Konfidera, estar disposto a negociar é também aceitar parte do posicionamento dos trabalhadores, justamente o que não aconteceu.

Sem avanços na negociação

O impasse permaneceu, sobretudo, referente à cláusula da bolsa de estudos. Marcelo do Sinepe/SC, como já é característica sua, continuou soltando frases de efeito: “enquanto os líderes árabes e israelenses conversam, minimizam o sofrimento do povo”. O problema, para Lourivaldo, é que na negociação é preciso estabelecer prazos. Para o dirigente, “se não tivéssemos entrado em Dissídio Coletivo, talvez estivéssemos negociando até hoje e isto só favorece ao patronal”. Foi neste sentido que o advogado da Federação, Jonni Steffens, orientou os dirigentes a não assinar o documento proposto pelo Sinepe que, mesmo garantindo a data base, expressava que o sindicato patronal não concordava com o Dissídio Coletivo. O sindicato patronal mais uma vez foi irredutível na sua posição, como de costume, unilateral.

Para Jonni, “o que se busca é estender em 30 dias a negociação, sem mencionar o Dissídio Coletivo”. A negociação precisa ser concluída neste prazo, seja para resultar na Convenção Coletiva 2011/12 ou para entrar num novo Dissídio Coletivo.

Encaminhamentos

Ficou acordado entre os seis sindicatos da Fetraesc e o Sinepe/SC que as entidades registrariam no sistema Mediador – do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM) – as mesmas cláusulas da Convenção Coletiva 2009/10, exceto a que se refere à bolsa de estudos, e alterando devidamente as cláusulas econômicas.

Esta iniciativa sinaliza a possibilidade de se chagar a um acordo, caso o Sinepe não se mantenha inflexível na sua posição de alterar a cláusula da bolsa de estudos de forma a favorecer somente os gestores de escolas. A próxima rodada de negociação está marcada para a próxima segunda-feira (28/02).